domingo, 29 de janeiro de 2023
El cuarto de Tula, se cogio candela
En el barrio La Cachimba se ha formado la corredera
En el barrio La Cachimba se ha formado la corredera
Allá fueron los bomberos con sus campanas, sus sirenas
Allí fueron los bomberos con sus campanas, sus sirenas
¡Ay, mamá! ¿Qué pasó? ¡Ay, mamá! ¿Qué pasó?
En el barrio La Cachimba se ha formado la corredera
En el barrio La Cachimba se ha formado la corredera
Allá fueron los bomberos con sus campanas, sus sirenas
Allí fueron los bomberos con sus campanas, sus sirenas
¡Ay, mamá! ¿Qué pasó? ¡Ay, mamá! ¿Qué pasó?
El cuarto de Tula, le cogió candela
Se quedó dormida y no apagó la vela
El cuarto de Tula, le cogió candela
Se quedó dormida y no apagó la vela
El cuarto de Tula, le cogió candela
Se quedó dormida y no apagó la vela
¡Que llamen a Ibrahim Ferrer, que busquen a los bomberos!
Que yo creo que Tula lo que quiere es que le apaguen el fuego
El cuarto de Tula, le cogió candela
Se quedó dormida y no apagó la vela
Ay, por ahí viene Eliades, en tremenda corredera
Viene a observar el cuarto de Tula que ha cogido candela
El cuarto de Tula, le cogió candela
Se quedó dormida y no apagó la vela
Carlos y Marcos están mirando este fuego
Si ahora no se apaga, se apaga luego, candela
El cuarto de Tula, le cogió candela
Se quedó dormida y no apagó la vela
Puntillita, ve y busca a Marco', pa' que busque al Sierra Maestra
Que vengan para acá rapido que la Tula, mira cogió candela
El cuarto de Tula, le cogió candela
Se quedó dormida y no apagó la vela
Hey, Marcos, coge pronto el cubito
Y no te quedes allá fuera
Llénalo de agua y ven a apagar el cuarto de Tula
Que ha cogido candela
El cuarto de Tula, le cogió candela
Se quedó dormida y no apagó la vela
Tula está encendida, ¡llama a los bomberos!
Tú eres candela, ¡afina los cueros!
El cuarto de Tula, le cogió candela
Se quedó dormida y no apagó la vela
Candela, muchacho
Se volvió loco, Barbarito
¡Hay que ingresarlo!
El cuarto de Tula, le cogió candela
Se quedó dormida y no apagó la vela
El cuarto de Tula, le cogió candela
Se quedó dormida y no apagó la vela
El cuarto de Tula, le cogió candela
Se quedó dormida y no apagó la vela
El cuarto de Tula, le cogió candela
Se quedó dormida y no apagó la vela
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sexta-feira, 25 de novembro de 2022
A música Guantanamera, seus significados, mistérios e folclores.
A cubana Guantanamera é uma das músicas latinas mais conhecidas do mundo, mas a origem e o significado da composição são incertos. Trata-se de uma manifestação folclórica do povo que vivia nos campos da cidade de Guantánamo, onde fica a base naval dos Estados Unidos.
O que se sabe é que a letra da versão mais famosa é uma adaptação livre dos primeiros versos da obra Versos Sencillos, de José Martí. Já o instrumental foi composto pelo músico Joseíto Fernández.
Mas o que significa guantanamera, exatamente? É o que a gente vai te contar neste texto. Vem ver!
Significado da música Guantanamera
Desde que foi descoberta nos anos 1960, Guantanamera se tornou uma das músicas cubanas mais tocadas no mundo. A composição instrumental é do músico José Fernández Diaz, o Joseíto, que integrava um sexteto em Havana.
Já a letra, como você viu, é livremente baseada nos Versos Sencillos (Versos Sensíveis, em tradução livre) do poeta cubano José Martí.
Ele é reverenciado como um herói nacional devido à sua atuação como mártir na Independência de Cuba do domínio espanhol, ocorrida em 1898.
Assim, a música é considerada como uma canção de revolução e também de paz. Vale lembrar ainda que Guantanamera tem origem popular e foi ganhando várias versões ao longo do tempo.
O que significa guajira e guantanamera?
Vem descobrir de uma vez por todas o significado de guajira e guantanamera.
Guajira
A guajira, também conhecida como punto cubano, punto guajiro ou apenas punto, é um tradicional ritmo popular dos campos cubanos. Tem forte influência musical da região da Andaluzia, na Espanha, com a música feita por mestiços nascidos na América.
A principal característica da guajira é o seu ritmo dançante, com predominância dos instrumentos de cordas e letras com temática rural. Para melhor compreensão, seria o equivalente cubano à moda de viola brasileira.
Além disso, o termo guajiro significa camponês. Era a maneira como os colonizadores espanhóis se referiam aos indígenas da região de La Guajira, entre a Venezuela e a Colômbia, que eram capturados para escravizá-los nos campos.
Assim, guajira tem um significado duplo: tanto pode ser camponesa quanto se referir ao ritmo musical.
Logo, guajira guantanamera pode tanto significar algo como guarija de Guantánamo, em referência ao ritmo musical, quanto camponesa de Guantánamo. No caso da canção, a primeira opção é a mais provável.
Análise da música Guantanamera
Vamos dar uma olhada na versão mais popular de Guantanamera e seu significado?
Guantanamera, guajira guantanamera, (De Guantánamo, guajira de Guantánamo)
Yo soy un hombre sincero, (Eu sou um homem sincero)
De donde crece la palma. (De onde as palmeiras crescem)
Y antes de morir yo quiero (E antes de morrer eu quero)
Cantar mis versos del alma. (Lançar meus versos d’alma)
Como podemos ver, a canção começa seguindo a tradição da guajira. Um homem do campo fala em primeira pessoa sobre a necessidade de expressar seus sentimentos mais profundos antes de morrer.
É interessante notar que a palavra palma (palmeira) pode ter um duplo significado. Isso porque em 1903, o presidente de Cuba, Tomás Estrada Palma, assinou um acordo com Theodore Roosevelt, cedendo a Baía de Guantánamo para servir como base naval dos EUA.
Assim, o poeta também pode estar lamentando o acordo político feito por Palma, que Cuba acusa de ter sido imposto à força, e que desde 1959 é alvo de protestos no país.
Guantanamera, guajira guantanamera (De Guantánamo, guajira de Guantánamo)
Cultivo una rosa blanca (Cultivo uma rosa branca)
En junio como en enero. (Em junho como em janeiro)
Para el amigo sincero, (Para o amigo sincero)
Que me da su mano franca. (Que me estende a mão)
Na estrofe acima, o narrador utiliza a rosa branca — que representa valores como respeito, honra, amor e humildade —, como uma metáfora que simboliza a lealdade entre amigos.
Assim, ele afirma que, seja no inverno ou no verão, ele se mantém leal ao amigo sincero, que estende a mão para ajudá-lo quando precisa.
Guantanamera, guajira guantanamera, (De Guantánamo, guajira de Guantánamo)
Mi verso es de un verde claro, (Meu verso é de um verde-claro)
Y de un carmín encendido. (E de um carmim aceso)
Mi verso es un ciervo herido, (Meu verso é um cervo ferido)
Que busca del monte amparo. (Que busca refúgio na montanha)
Guantanamera, guajira guantanamera (De Guantánamo, guajira de Guantánamo)
Na última estrofe, o poeta utiliza figuras de linguagem que representam seus sentimentos.
Com referências que remetem à difícil vida no campo (o verde da vegetação em contraste com o vermelho do sangue quente), ele expressa o amor pela sua terra e sente-se como um cervo ferido que, revoltado e impotente, busca refúgio.
Os últimos versos também podem ser uma referência ao povo cubano em si, que estaria sofrendo inúmeras injustiças, sem ter a quem recorrer.
Contexto histórico
Surgida no início do século XX, Guantanamera se tornou famosa na década de 1960, quando o popular cantor estadunidense Pete Seeger apresentou a canção em um show em Nova York.
Um pouco antes, em 1959, aconteceu a Revolução Cubana. E uma das reivindicações que o governo cubano tem feito desde então é a saída dos EUA da Baía de Guantánamo, cuja base naval é considerada ilegal.
Dessa forma, a canção é utilizada como um hino de liberdade e como protesto contra a presença dos EUA em solo cubano.
Quem é o autor de Guantanamera?
Precisar um autor para a música Guantanamera original é tarefa quase impossível. Como vimos, a canção surge do folclore popular e, então, ganha inúmeras versões ao longo do tempo.
No entanto, historiadores afirmam que Joseíto Fernández foi o primeiro a gravar a canção, com letra adaptada dos versos de José Martí. Em 1928, com apenas 22 anos, o músico criou a melodia para Guajira Guantanamera, como a música se chamava na época.
Sobre a repercussão, ele comentou que “muitos pensam que nasci em Guantánamo, outros pensam que sou camponês e, sem dúvida, nem uma coisa e nem outra”.
Sucesso em Cuba
Na época, a guajira era uma febre local e vários compositores criavam suas guajiras para animar os bailes. Joseíto Fernández, então, compôs a Guajira Guantanamera, que se tornou um grande sucesso.
Conta-se que, na década de 40, havia um programa de rádio com tema policial, que alternava a dramatização das cenas com trechos musicais. Ao final de cada parte, era tocado o coro Guantanamera, guajira guantanamera.
Com a popularidade do programa, tornou-se comum as pessoas dizerem cantou uma Guantanamera pra mim, uma expressão que significa me contou um fato triste.
Outras versões da história
O musicólogo Tony Evora afirma que o primeiro a incorporar os versos de Martí na canção foi o compositor espanhol Julián Orbón.
Ele teria sido professor do cubano Héctor Angulo, em Nova York, que mostrou a versão do mestre para Pete Seeger. E, assim, a música ganhou o mundo.
Outras versões que circulam dizem que o autor teria sido um camponês que vivia em Guantánamo. Poeta e radialista, ele encerraria seu programa com uma determinada melodia e, depois, com versos de José Martí, inspirado pela beleza das mulheres da cidade.
A versão do The Sandpipers
Uma das versões mais famosas de Guantanamera é a do grupo estadunidense The Sandpipers. Lançada em 1966, a canção é ligeiramente diferente e traz versos cantados em espanhol e inglês.
A música alcançou o primeiro lugar nas paradas de sucesso dos EUA naquele ano e conquistou sucesso mundial.
Fonte: Analisando letras · Por Renata Arruda
¡El cantante Ray Titto y su guitarra de santería!
A santeria cubana é uma religião da nação Yorubá muito popular não só em Cuba, como em muitos países da América Latina. Isso porque ela representa a fusão entre a tradição folclórica trazida pelos escravos africanos e as práticas católicas impostas pelos colonizadores espanhóis.
Apesar de pesquisadores afirmarem que a utilização de santos católicos era apenas uma maneira de burlar o sistema escravista, a santeria cubana carrega elementos do sincretismo religioso. Além disso, a religião afro-cubano também cultua um Deus superior e divindades sagradas que atendem músicos da noite e todos os seres humanos.
quinta-feira, 24 de novembro de 2022
A Fera do bom e velho Rock an Roll, Jerry Lee Lewis
Nossa merecida homenagem ao último pioneiro do rock que ainda estava vivo. Jerry Lee Lewis morreu em 28 de outubro de 2022, aos 87 anos, de causas naturais, em sua casa na cidade de Memphis, no Tennessee. O cantor, compositor e pianista foi o maior dos anti-heróis entre o time considerado como os “pais” do rock, formado pelos colegas de gravadora Sun Studios: Elvis Presley. Roy Orbinson, Johnny Cash e Carl Perkins, além do próprio Jerry Lee Lewis. Com uma vida pessoal controvertida, o pioneiro do rock teve uma carreira brilhante, com mais de 40 discos lançados e sucessos que abriram as portas do mundo para o rock na década de 50, caso de “Great Balls of Fire” e “Whole Lotta Shakin’ Going On”.
quarta-feira, 23 de novembro de 2022
Se o Rock brasileiro tivesse outro nome, seria Erasmo!
Ele era o bom. Era o cara do nosso Rock nos anos 60. O cara na guitarra bacana, o bom de papo, o mais simpático, o mais sacana - Até filme erótico o Tremendão Erasmo Carlos fez. Um dos ícones dos anos 60 e 70, dos programas da Jovem Guarda. Erasmo, siga o seu caminho de luz!
sábado, 27 de julho de 2019
Tarantino mais Latino!
Tarantino é fã declarado do cinema europeu e dos faroestes italianos, como pode ser visto nas muitas referências feitas nos seus filmes. Disse ele:
- "O bom, o mau e o feio" é o melhor filme da história.
sábado, 20 de abril de 2019
Jorge Mautner em “Não há abismo em que o Brasil caiba”
A melhor definição do novo álbum do cantor e compositor Jorge Mautner veio do amigo e colega Péricles Cavalcanti: “Reencontrando, ouvindo e curtindo, agora, o ‘jeito’ Jorge Mautner de compor e cantar (e ‘discorrer’, livremente, sobre tudo!) nesse seu novo álbum, “Não há abismo em que o Brasil caiba”.
Há também uma inversão na frase de Péricles. Na verdade, bem próximo de completar inacreditáveis 80 anos, Mautner também se reencontrou com o seu melhor. Com o velho e bom vigarista Jorge que, ao lado do inseparável parceiro Nélson Jacobina, fez algumas das canções mais luminosas, inusitadas e modernas da nossa música.
“Não há abismo em que o Brasil caiba”, a começar pelo nome, é Mautner no esplendor da criatividade do começo ao fim. O título veio de uma exclamação do filósofo português, Agostinho da Silva, morto em 1994. Em Lisboa, ao ser informado sobre a crise do governo Collor, o filósofo disse: “o Brasil tem um destino tão grandioso, tão grandioso, que não tem abismo que o caiba”.
Dona Catulina, é uma professora de já certa idade
e ela monta em seu burrico, no jumento
E eles vão trotando 40, 80, 120km
Só pra ela descer do burrico
e ensinar as criancinhas a ler e escrever.
É preciso arrancar
Da medula dos ossos
Dos nervos até a epiderme da pele
Este medonho cancro
Que matou Anderson Gomes
E que matou Marielle Franco
Repleto de referências ao candomblé, religião que encantou o compositor desde cedo, por conta de sua babá Lúcia, que era ialorixá, “Não Há Abismo em que o Brasil Caiba”, foi produzido pelo grupo Tono, que é formado por Bem Gil, Rafael Rocha, Bruno di Lullo e Ana Cláudia Lomelino.
Uma das melhores, mais encantadoras e contundentes canções do álbum é “Bang Bang” onde o poeta e escritor volta ao seu melhor do melhor:
A bala perdida
Lá do bang bang
Abre uma ferida
De onde escorre o sangue
E a pessoa morre gritando
Ai, ai, ai, ai, ai
É tristeza em tom absoluto
Parece que ninguém se lembra
De Joaquim Nabuco
No final das contas, “Não há abismo em que o Brasil caiba” é mais um belo resumo da capacidade que Jorge Mautner tem em traduzir para todos, de forma alegre e extremamente brasileira, a sua verve e seu conhecimento descomunal em assuntos díspares vindos de todas as partes.
quarta-feira, 3 de abril de 2019
A dona da ciranda, Lia de Itamaracá
Aos 75 anos, completados em 12 de janeiro deste ano de 2019, Lia de Itamaracá começou a gravar o quarto álbum de discografia espaçada iniciada em 1977 com a edição do LP A rainha da ciranda.
A cantora e compositora pernambucana entrou em estúdio nesta primeira semana de abril, no Recife (PE), para pôr voz em músicas do disco produzido pelo DJ Dolores. Essencialmente inédito, o repertório é formado por músicas como Companheiro da solidão.
O álbum é o primeiro de Maria Madalena Correia do Nascimento – nome de batismo dessa artista nascida em 1944 – desde Ciranda de ritmos(2008). Yuri Queiroga, Lucas dos Prazeres e Benke Teixeira participam do disco.
Para quem não liga o nome à música, Lia de Itamaracá é artista identificada primordialmente com a ciranda, como explicitam os títulos dos discos da cantora. Além deste ritmo associado à dança e às águas de Pernambuco (em especial às da Ilha de Itamaracá), a artista também costuma dar voz a cocos e maracatus.
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quarta-feira, 20 de março de 2019
A cultura do povo Kalunga e as cachoeiras de Teresina de Goiás - Chapada dos Veadeiros
Quer saber um pouquinho mais? Confira:
Principais eventos: Folia de Santos Reis (janeiro); Festa de São Lázaro (fevereiro); Reza de São José (março); Folia do Divino Pai Eterno (junho); Festa de São João Batista (junho); Romaria de Nossa Senhora da Abadia (agosto); Folia de Santa Teresinha (setembro); Festa Nossa Senhora do Livramento (outubro); Festa do Caju (novembro); Festa de Santa Luzia (dezembro).
CAT Teresina de Goiás: (62) 3467-1140
Site da Prefeitura: Teresina de Goiás
Fonte http://www.curtamais.com.br
terça-feira, 19 de março de 2019
A arte do compositor e violonista Garoto
Juntamente com Chiquinho no acordeom e Fafá Lemos no violino, Garoto formou o famoso Trio Surdina. Trabalhou intensamente tocando em bailes e shows da cidade. Como compositor, fez a trilha sonora para o filme Marujo por acaso e mais duas músicas para o filme Chico Viola não morreu. Na incipiente TV do início dos anos de 1950, Garotoapareceu duas vezes na Tupi de São Paulo. A primeira, como convidado de José Vasconcelos e a outra, quando ele e o maestro e arranjador Radamés Gnattali executaram a versão reduzida do “Concertino n. 2 para violão e piano”4.
Apesar de ter sido um instrumentista virtuoso, um gênio das cordas, Garoto não deixou muita coisa gravada. Por este motivo, não se sabe muito dele como músico. Felizmente, transcreveu todas as suas músicas e arranjos para a partitura musical, o que acabou fazendo do artista uma espécie de “músico dos músicos”, segundo classifica o jornalista João Máximo5. Assim, seu maior legado foram suas composições. Neste quesito, ele dividiu a história do violão moderno em duas partes. E foi a partir das obras de Garoto que houve uma clara mudança nas melodias e harmonias dos compositores das gerações seguintes, engrandecendo a música brasileira. Sem dúvida, o instrumentista pode ser “ouvido” através das suas composições, das suas invenções melódicas e das suas harmonias inusitadas.
Na qualidade de arranjador, Garoto brilhou nos programas de rádio, principalmente em parceria com Radamés Gnattali. Juntos, firmaram a dupla que melhor representa a transição da música popular e da música clássica para, simplesmente, música. Sem rótulos. Os dois se tornaram grandes amigos, passavam férias e fins de semana juntos no sítio que Radamés tinha em Areal, no estado do Rio de Janeiro. Local em que Garoto acabou também construindo uma casa.
Ao contrário de muitos músicos da sua geração, Garoto foi um artista que viveu exclusivamente de música. Trabalhava intensamente para sobreviver. Mesmo assim, sua diversão preferida nos momentos de folga era tocar violão e participar de encontros informais com grandes músicos e compositores como Pixinguinha, Laurindo de Almeida, Luiz Bonfá, Sivuca e muito outros. Radamés conta:
“Ele estava sempre com o violão e dizia: ou o violão me mata ou eu mato ele... Era meio maluco. E eu tocava minha flautinha, o pior flautista do mundo, mas o melhor acompanhado. Ficávamos lá no sítio de noite, tocando choros de Pixinguinha com Alberto Ribeiro no órgão e o Garoto fazendo aquelas harmonias diferentes“6.
Uma das contribuições da obra de Garoto e, para não ser injusto, também das composições deixadas por Custódio Mesquita e Valzinho, foi a formação da incensada bossa-nova. A introdução de acordes dissonantes no violão brasileiro, por exemplo, foi uma delas. Por si só, essa já seria uma das razões para considerá-lo um dos precursores desse movimento. Aqui cabe um parêntese: a palavra “bossa” foi tirada da medicina e incorporada ao cancioneiro popular nos anos de 1930, pelo compositor Noel Rosa. E mesmo Garoto já o havia utilizado, em 1945, quando formou o conjunto “Bossa Clube”. Três anos depois da morte de Garoto, caberia ao baiano João Gilberto e à sua batida diferente apontarem novos rumos para o violão brasileiro. Ressalte-se que João adorava os encadeamentos harmônicos de instrumentista e compositor.
A obra de Garoto é moderna e genial. Em menos de 40 anos de vida, deixou um legado “monumental”, como afirma seu biógrafo Jorge Mello. Ele acrescenta que a obra de Garoto ainda não é “devidamente apreciada e que é uma pequena parte do que produziu ao longo desses anos de atividade artística”7. Não se tem notícia de que Garoto tenha realizado muitas gravações ao violão. Os registros são escassos. Muita coisa ficou perdida nos acetatos da Rádio Nacional ou não foi gravada. Mesmo assim, o músico deixou mais de 200 músicas catalogadas8. Um dos seus sucessos foi o samba-canção Duas contas, música e letra do próprio Garoto. Por muito tempo foi sua canção mais conhecida, sendo uma das poucas obras da música brasileira que não tem rimas, revelando também um letrista sofisticado. Curiosamente, seu sucesso mais popular foi um dobrado, São Paulo quatrocentão, em parceria com Chiquinho do Acordeom. Sua obra como um todo já conta com mais de 600 gravações9.
O fato é que Garoto estava muito à frente do seu tempo. Sua formação foi eclética e requintada. Ouviu muito choro, samba, jazz e música clássica. Adorava Debussy. Sua obra reflete todas estas tendências: moderna refinada e muito brasileira, não se atendo a um brasileirismo que limitaria a própria música. Garoto foi muito mais do que um precursor da bossa-nova. Isto seria reduzi-lo a um gênero em extinção. Sua influência é contagiante, afetando o violão e a música de Baden Powell, passando pela magnífica obra de Tom Jobim e chegando a todas as gerações de artistas que o sucederam. Como afirmou o compositor Guinga, “Ele será bem mais conhecido nos seus 200 anos”. A música brasileira agradece e comemora os 100 anos de Garoto. Todos os músicos têm um pouco dele no coração.
A história da parceria na música Gente Humilde poderia ter sido outra: Vinicius de Moraes, exultante, ao telefone, anunciaria: “agora Garoto é meu parceirinho”. Tom Jobim teria morrido de ciúmes.
4Site www.violaobrasileiro.com
domingo, 17 de março de 2019
Arte - 50 documentários sobre História da Arte gratuitos e online!
Confira a seleção de 50 documentários gratuitos sobre arte, que abordam a vida e a obra de grandes pintores como Michelangelo, Da Vinci, Picasso e Frida, além de alguns períodos que marcaram a História da Arte, como o impressionismo e o renascimento. A maioria dos vídeos tem legendas em português. O NotaTerapia separou as escolhas feitas pelo site Canal do Ensino, mas com pesquisa elaborada pelo blog Alma de Fotógrafo:
Documentários sobre arte
1- Bosch
Jeroen van Aeken, cujo pseudônimo é Hieronymus Bosch, e também conhecido como Jeroen Bosch (‘s-Hertogenbosch, c. 1450 — 9 de Agosto de 1516), foi um pintor e gravador Holandês dos séculos XV e XVI. Muitos dos seus trabalhos retratam cenas de pecado e tentação, recorrendo ao uso de figuras simbólicas complexas, originais, imaginativas e caricaturais, muitas das quais eram obscuras mesmo no seu tempo.
2- Blake
Um dos maiores exemplos do Romantismo, William Blake foi um artista multifacetado. Nos chamados “livros iluminados”, Blake combinou pintura, gravura e poesia, e seus versos estão hoje entre os mais famosos da língua inglesa.
3- Caravaggio
Michelangelo Merisi da Caravaggio (Milão, 29 de setembro de 1571 – Porto Ercole, comuna de Monte Argentario, 18 de julho de 1610) foi um pintor italiano atuante em Roma, Nápoles, Malta e Sicília, entre 1593 e 1610. É normalmente identificado como um artista barroco, estilo do qual foi o primeiro grande representante. Caravaggio era o nome da aldeia natal da sua família e foi escolhido como seu nome artístico.
Passou a envolver-se em brigas, fazer ameaças e insultos em comércios, quebrando pratos em restaurantes e ferindo seus adversários com faca ou espada.
4- Constable
John Constable usou durante toda a vida sua terra natal, Suffolk, como inspiração para suas paisagens. The Hay Wain (A Carroça de Feno), é provavelmente uma das obras mais famosas já criadas por um artista inglês.
5- Courbet
Courbet foi o primeiro artista a pregar que a arte deveria versar sobre o momento, e para tanto usou como modelos pessoas comuns, eliminando qualquer espécie de requinte ou exagero romântico de suas telas.
6- Delacroix
Considerado o maior pintor do romantismo francês, Eugène Delacroix introduziu o romantismo na pintura, equilibrando-se entre a lealdade ao mundo clássico e a urgência em exprimir seus sentimentos e produzindo obras absolutamente originais.
7- Degas
Edgar Hilaire Germain Degas (Paris, 19 de julho de 1834 — Paris, 27 de Setembro, 1917) foi um pintor, gravurista, escultor e fotógrafo francês. É conhecido sobretudo pela sua visão particular no mundo do ballet, sabendo captar os mais belos e súbteis cenários. É ainda reconhecido pelos seus célebres pastéis e como um dos fundadores do impressionismo.
8- Escher
Maurits Cornelis Escher (Leeuwarden, 17 de Junho de 1898 – Hilversum, 27 de Março de 1972) foi um artista gráfico holandês conhecido pelas suas xilogravuras, litografias e meios-tons (mezzotints), que tendem a representar construções impossíveis, preenchimento regular do plano, explorações do infinito e as metamorfoses – padrões geométricos entrecruzados que se transformam gradualmente para formas completamente diferentes. Uma das principais contribuições da obra deste artista está em sua capacidade de gerar imagens com efeitos de ilusões de óptica.
9- El Greco (em espanhol)
Doménikos Theotokópoulos (em grego: Δομήνικος Θεοτοκόπουλος), mais conhecido como El Greco, (“O Grego”; Heraclião ou Fodele, 5 de outubro de 1541 — Toledo, 7 de abril de 1614) foi um pintor, escultor e arquiteto grego que desenvolveu a maior parte da sua carreira na Espanha. Assinava suas obras com o nome original, ressaltando sua origem. Documentário em espanhol dividido em 6 capítulos.
10- Friedrich
Caspar David Friedrich é conhecido como o maior pintor romântico de paisagens. Ao adicionar elementos de profundo teor simbolista às suas obras, Friedrich rompeu com a tradição acadêmica que prezava, acima de tudo, a representação fiel do que era visto.
11- Frida (em espanhol)
Fragmentos de um documentário sobre a vida e obra da pintora mexicana Frida Kahlo, e sua tortuosa relação com o muralista Diego Rivera.
12- Gauguin
O audacioso uso que Gauguin fazia de cores puras e intensas deu às suas telas uma expressividade intensamente pessoal, mas seu trabalho não encontrou receptividade na época. Hoje, entretanto, suas obras estão entre as mais procuradas por colecionadores de arte de todo o mundo.
13- Goya
As imagens sombrias presentes nas pinturas e gravuras de Goya não têm precedentes na história da arte ocidental. Inspirado pelos horrores da guerra e da Inquisição, produziu obras-primas atemporais que lhe garantiram o lugar entre os maiores artistas românticos.
14- Hogarth
William Hogarth foi o primeiro grande pintor originário da Inglaterra, e sua obra retrata com inteligência e técnica brilhante a sociedade inglesa da época. Excelente retratista, também ficou conhecido por suas pinturas históricas.
15- Kandisky
Wassily Kandinsky (Moscou, 16 de dezembro de 1866 (4 de dezembro no calendário juliano, então em vigor na Rússia) — Neuilly-sur-Seine, 13 de dezembro de 1944) foi um artista plástico russo, professor da Bauhaus e introdutor da abstração no campo das artes visuais. Apesar da origem russa, adquiriu a nacionalidade alemã em 1928 e a francesa em 1939.
16- Klimt
Gustav Klimt foi um improvável rebelde no mundo da arte. Seus retratos intensamente sensuais das mulheres vienenses ainda hoje impressionam o apreciador moderno de arte, e sua incomparável técnica decorativa demonstra a disposição de Klimt em buscar inspiração além das fronteiras européias.
17- Leonardo da Vinci
Leonardo di Ser Piero da Vinci, ou simplesmente Leonardo da Vinci7(Anchiano, 15 de abril de 1452[1] — Amboise, 2 de maio de 1519), foi um polímata nascido na atual Itália, uma das figuras mais importantes do Alto Renascimento, que se destacou como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico.
18- Documentários Online
Neste site você encontra diversas seleções para assistir documentários online de forma gratuita. Confira!
19- Manet
Edouard Manet foi um dos mentores do Impressionismo, tomando uma posição firme contra as restrições e convenções dos salões franceses. Uma das grandes obras de Manet é o famoso Bar aux Folies-Bergère. Apesar da aceitação que seu trabalho recebeu no fim de sua vida, morreu ressentido.
20- Michelangelo
Enquanto o restaurador de obras de arte italiano Antonio Forcellino está limpando séculos de sujeira da estátua de Moisés, de Michelangelo, em uma igreja em Roma, ele desvenda um segredo há muito tempo escondido sobre a vida do grande mestre da Renascença.
21- Miró (espanhol)
Joan Miró i Ferrà (Barcelona, 20 de abril de 1893 — Palma de Maiorca, 25 de dezembro de 1983) foi um escultor, pintor, gravurista e ceramista surrealista catalão.
22- Monet
Foi o quadro Impression: soleil levant (Impressão: nascer do sol) de Claude Monet que deu nome ao Impressionismo. Famoso por perceber as mais sutis nuances de cor e luz nas paisagens, Monet produziu obras-primas como as séries Les meules (Montes de feno) e Les nymphéas (As ninféias).
23- Munch
Durante toda a vida, Edvard Munch sofreu as conseqüências de uma infância rodeada de loucura e morte. Chegando à meia-idade, ele mesmo desmoronou completamente, mas nessa época sua obra já havia lhe conquistado fama em toda a Europa.
24- Paul Cézanne
Paul Cézanne (Aix-en-Provence, 19 de janeiro de 1839 — Aix-en-Provence, 22 de outubro de 1906) foi um pintor pós-impressionista francês, cujo trabalho forneceu as bases da transição das concepções do fazer artístico do século XIX para a arte radicalmente inovadora do século XX.
25- Paul Klee
O programa entra na intimidade do artista plástico Paul Klee por meio das páginas de seu diário para entender sua relação com a arte. Através de suas histórias de vida na Alemanha nazista, da vida familiar, da influência de grandes artistas como Kandinski e movimentos como o expressionismo e o cubismo, conhecemos um pouco mais o pintor e entendemos como suas idéias, sua curiosidade e seus métodos o levaram a se tornar um dos maiores pintores do século XX.
26- Picasso (espanhol)
Pablo Ruiz Picasso (Málaga, 25 de outubro de 1881 — Mougins, 8 de abril de 1973), foi um pintor espanhol, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo que passou a maior parte da sua vida adulta na França. Considerado um dos maiores e mais influentes artistas do século XX, é conhecido por ser o co-fundador do cubismo – ao lado de Georges Braque -, inventor da escultura construída, o inventor da colagem e pela variedade de estilos que ajudou a desenvolver e explorar.
27- Pissarro
Pissarro exerceu uma considerável influência no início de carreira de Cézanne e Gauguin, e uma de suas obras-primas é Le Boulevard Montmartre, effet de nuit hoje exposto na National Gallery, em Londres da famosa série de quatorze quadros retratando a vista de seu quarto no Hotel de Russie.
28- Rafaello
Rafael Sanzio (em italiano: Raffaello Sanzio; Urbino, 6 de abril de 1483 — Roma, 6 de abril de 1520), frequentemente referido apenas como Rafael, foi um mestre da pintura e da arquitetura da escola de Florença durante o Renascimento italiano, celebrado pela perfeição e suavidade de suas obras.
29- Rembrandt
Há quem diga que a habilidade de Rembrandt como retratista nunca foi superada, e talvez sua famosa série de auto-retratos seja a melhor demonstração de sua genialidade. Sua produção foi prodigiosa, e dominou com maestria todos os gêneros de pintura, incluindo retratos, paisagens e imagens religiosas.
30- Rembrandt, série Gênios da Pintura
31- Renoir
Pierre-Auguste Renoir (Limoges, 25 de fevereiro de 1841 — Cagnes-sur-Mer, 3 de dezembro de 1919) foi um pintor francês impressionista. Desde o princípio sua obra foi influenciada pelo sensualismo e pela elegância do rococó, embora não faltasse um pouco da delicadeza de seu ofício anterior como decorador de porcelana.
32- Rossetti
A obra profundamente simbólica de Rossetti, de uma beleza ao mesmo tempo pueril e erótica, é considerada um dos maiores feitos artísticos do século XIX por sua originalidade e pela influência exercida nos simbolistas.
33- Rousseau
Henri Rousseau trouxe vitalidade, charme e, principalmente, inocência à arte. Suas imagens em cores vivas de florestas e animais selvagens imaginários são quase infantis em sua execução, mas estão entre as mais fascinantes já produzidas, apesar de suas imperfeições técnicas.
34- Salvador Dali (espanhol)
Salvador Dalí i Domènech, 1º Marquês de Dalí de Púbol (Figueres, 11 de maio de 1904 — Figueres, 23 de janeiro de 1989) foi um importante pintor catalão, conhecido pelo seu trabalho surrealista. O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente qualidade plástica.
35- Salvador Dali, biografia (espanhol)
36- Seurat
George Pierre Seurat foi o inventor da técnica conhecida como pontilhismo, em que uma figura é formada por pequenos pontos de cores básicas que se fundem à distância, e completou apenas sete telas usando essa técnica extremamente complexa, entre elas a magnífica Une baignade, Asnières (Cena de banho em Asnières). Apesar de morrer jovem, Seurat definitivamente teve uma vida cheia de realizações e seu legado para a arte é inestimável.
37- Turner
J. M. W.Turner chegou ao final da vida como o artista mais conhecido da Inglaterra. Demonstrando uma clara preferência pela pintura de paisagens, seu uso de luz e cor é incomparável.
38- Toulouse-Iautrec
Henri de Toulouse-Lautrec foi uma figura trágica na história da arte. A vida boêmia que levou nos bordéis e casas noturnas de Paris forneceu a inspiração para suas melhores obras, e suas ousadas pinturas do famoso Moulin Rouge refletem efetivamente toda a energia da vida noturna da época.
39- Van Gogh
40- Van Gogh, série grandes artistas
41- Van Dyck
42- Vermeer
43- Vermeer, série grandes artistas
44- Velasquez
45. A Arte fez o mundo, O dia que as imagens nasceram
46. A Arte fez o mundo, A arte da persuasão
47. A Arte fez o mundo, Era uma vez
48. Grandes pintores norte americanos
49. Os impressionistas
50. Pinturas do Alto Renascimento
domingo, 3 de março de 2019
A fera JERRY LEE LEWIS hospitalizado...
O cantor, compositor e pianista norte-americano Jerry Lee Lewis foi esta semana hospitalizado em Memphis, estado do Tennessee, após ter sofrido um acidente vascular cerebral (AVC). Tudo, porém, não passou de um susto.
De acordo com um representante do músico, espera-se que Lewis "recupere totalmente de forma a entrar em estúdio para gravar um álbum gospel, e voltar à estrada para tocar e encantar os seus fãs".
Jerry Lee Lewis, de 83 anos, é um dos pioneiros do rock'n'roll, contemporâneo de nomes como Chuck Berry ou Elvis Presley.
Entre os seus maiores sucessos estão temas como 'Great Balls of Fire', "High School Confidential", "Crazy Arms", "Breathless".
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
O Cangaço Como Fenômeno Revolucionário
Le Film Qui Révéla Le Cinéma Brésilien Au Monde Entier
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019
Façamos um trato - Poema Mario Benedetti
FAÇAMOS UM TRATO
“Quando sinta sua ferida sangrar,
Quando sinta sua voz soluçar,
Conte comigo" (De uma canção de Carlos Puebla)
Companheira
Você sabe
Que pode contar comigo,
Não até dois
Ou até dez,
Mas contar comigo.
Se alguma vez perceber
Que ao olhar nos meus olhos,
Não reconhece o meu amor,
Não duvide dele,
Lembre-se de que sempre
Pode contar comigo.
Se outras vezes
me encontrar impaciente,
Sem motivo,
Não pense que diminuiu o meu amor,
Ainda assim, pode contar comigo.
Mas façamos um trato,
Também quero contar com você.
É tão lindo saber que você existe
E quando digo isso,
Quero dizer contar
Seja até dois,
Seja até cinco.
Não para que venha logo em meu auxílio.
Mas para ter certeza,
Na medida certa,
Que você sabe,
Que pode contar comigo.
(Tradução livre – Eduardo Andrade)
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
Alvarenga e Ranchinho
Na fotografia - Alvarenga e Ranchinho, em 1935, autografada, ao microfone da PRG5, quando a emissora funcionava no prédio da Sociedade Humanitária.
Antes de iniciar o resumo biográfico, é preciso lembrar que o Alvarenga foi apenas um e que, no entanto, por força das circunstâncias, acabou fazendo dupla com "3 Ranchinhos"!!
O "primeiro Ranchinho", portanto, foi Diésis dos Anjos Gaia, que cantou com Alvarenga de 1933 a 1938, retornando no ano seguinte e que, após outros sumiços, abandonou a dupla em 1965.
O "segundo Ranchinho" foi Delamare Abreu (nascido em São Paulo-SP no dia 28/10/1920), irmão de Murilo Alvarenga por parte de mãe, e que fez dupla com ele por dois meses na década de 50. Delamare mais tarde deixou o palco e passou a ser Pastor Protestante.
E o "terceiro Ranchinho", que foi quem ficou mais tempo ao lado de Murilo, foi Homero de Souza Campos (1930-1997), conhecido também como "Ranchinho da Viola" e como "Ranchinho II" (apesar de ter sido o "terceiro"). Homero cantou com Murilo Alvarenga de 1965 até o seu falecimento em 1978.
O "Ranchinho da Viola" foi o mesmo Homero que também integrou o "Trio Mineiro", juntamente com Bolinha e Cosmorama e que chegou a gravar 12 discos de 78 RPM. E, com Alvarenga, Homero gravou 15 discos, entre 78 RPM e LPs.
Murilo e Diesis (o "Ranchinho Primeiro e Único", como diria Rolando Boldrin) conheceram-se no início da década de 30 na cidade de Santos-SP. Murilo, após o falecimento de sua mãe, morava no Brás, em São Paulo-SP com seus tios; ele era trapezista e também cantava tangos. Diésis cantava músicas românticas na Rádio Clube de Santos, que havia sido inaugurada pouco tempo antes (em 1927). "Rancho Fundo" (Ary Barroso - Lamartine Babo) era uma das músicas preferidas e mais freqüentemente interpretadas por Diésis que, em função disso, começou a ser anunciado como "Rancho".
O primeiro encontro se deu numa serenata. E, como era "baixinho", Diésis aproveitou o apelido e o modificou para Ranchinho, quando da formação da dupla com Murilo que, por sua vez, aproveitou o próprio sobrenome: "Alvarenga e Ranchinho" passaram então a cantar a duas vozes em circos interpretando de início um "repertório sério" formado por Valsas, Modinhas, Tangos e Chorinhos (chegaram a gravar inclusive o célebre "Tico-Tico no Fubá" de Zequinha de Abreu!).
O mais engraçado é que a platéia ria quando Alvarenga e Ranchinho cantavam... E, tirando partido da situação, eles passaram a incluir piadas entre uma música e outra, da mesma forma como também faziam Jararaca e Ratinho no Rio de Janeiro-RJ.
A dupla iniciou-se efetivamente em 1933, trabalhando no Circo Pinheiro em Santos-SP. Algum tempo depois, seguiram para a Paulicéia Desvairada, onde eles passaram a se apresentar também em outros circos.
Devido às paródias que compunham satirizando diversos políticos, sofreram perseguições. Após animados shows contando estórias, fazendo esquetes humorísticos e cantando suas composições, muitas vezes acabavam "passando a noite no xadrez", conforme será visto mais adiante.
No mesmo ano, apresentaram-se na Companhia Bataclã na Capital Paulista. Também fizeram parte do elenco da companhia Trololó, juntamente com o renomado comediante Sebastião Arruda, no Teatro Recreio, na Praça da Sé, na Capital Paulista. É importante destacar também que Sebastião Arruda havia criado no teatro o "personagem clássico caipira" que já passava a ter também a voz ouvida no disco, já que o Ator Arruda também havia se juntado à Turma de Cornélio Pires quando das primeiras gravações de Modas de Viola e "Causos" interpretados pelo Tibúrcio e sua Turma Caipira no final da década de 20 e início da década de 30.
Em 1934, a convite do Maestro Breno Rossi, passaram a trabalhar na Rádio São Paulo, recém-inaugurada. E, quando a Companhia "Casa de Caboclo" do Rio de Janeiro-RJ se apresentou em São Paulo-SP, Breno Rossi, que havia sido o Pianista convidado para o evento, incentivou a ida de Alvarenga e Ranchinho para um período bem sucedido na Cidade Maravilhosa, em 1936, com apresentações inclusive no Cassino da Urca.
Em 1935, Alvarenga e Ranchinho formaram com Silvino Neto o trio "Os Mosqueteiros da Garoa", que teve curta duração. No mesmo ano, venceram o Concurso de Músicas Carnavalescas de São Paulo com a marcha "Sai, Feia", de Alvarenga, que foi inclusive gravada por Raul Torres.
Ainda no mesmo ano, trabalharam também no filme "Fazendo Fita" de Vittorio Capellaro, a convite do Capitão Furtado. O encontro foi "sui-generis": Ariowaldo Pires, o Capitão Furtado, que era Compositor, Locutor de Rádio, Produtor Caipira e sobrinho de Cornélio Pires, viu Murilo e Diésis passeando com seus instrumentos musicais e, abordando-os, perguntou se eles eram Violeiros, se cantavam no estilo de "Mariano e Caçula" e se queriam participar de um filme?
Espertos como eles só, responderam "sim" a todas as perguntas, para não deixar passar a oportunidade e, no elenco de "Fazendo Fita", Alvarenga e Ranchinho substituíram Mariano e Caçula que era a dupla inicialmente convidada, mas que havia desistido da participação em virtude do atraso das filmagens.
E, em 1936, rumaram para a Cidade Maravilhosa onde se apresentaram na Casa de Caboclo (incentivados pelo Maestro e Pianista Breno Rossi, conforme mencionado acima). Começaram a se apresentar na Rádio Tupi no programa "Hora do Guri". E, naquele mesmo ano, gravaram o primeiro disco pela Odeon com as músicas "Itália e Abissínia" (Alvarenga - Ranchinho - Capitão Furtado) e o Cateretê "Liga das Nações" (também de Alvarenga, Ranchinho e Capitão Furtado).
E o sucesso ia crescendo! Apenas três anos de dupla formada e Alvarenga e Ranchinho eram cômicos, atores de cinema e... Dupla Caipira, "sem nem mesmo terem nascido na roça"! E Assis Chateaubriand, ouvindo a dupla, contratou Alverenga, Ranchinho e o Capitão Furtado para estrear nos Diários e Emissoras Associados (Grupo do qual fazia parte a Rádio Tupi e, a partir de 1950, também a TV Tupi) a "Trinca do Bom Humor"!
"Nunca imaginamos que numa cidade como essa, moderníssima, aparentemente saturada de foxtrotes, tangos e de outros produtos estrangeiros, a simplicidade dos nossos cantores e a ingenuidade de nossas anedotas tivessem uma repercussão tão grande..." foi o que declarou o Capitão Furtado em 1937, em entrevista para a Revista "Carioca", citada na página 293 do Livro "Musica Caipira - Da Roça Ao Rodeio" escrito por Rosa Nepomuceno.
Em 1937, no auge do sucesso, passaram a fazer parte do elenco do famoso Cassino da Urca, onde trabalharam até seu fechamento, em 1946, por Eurico Gaspar Dutra.
No Casino da Urca, Alvarenga e Ranchinho começaram a fazer suas sátiras políticas, as quais se tornaram um de seus pontos fortes. O público se divertia e o Governo... sentia-se incomodado na maioria das vezes, com as "críticas musicais" que eram cada vez mais o forte de suas apresentações!
O visual da dupla consistia nos trajes caipiras: camisa xadez, chapéu de palha de aba curta, e botas de cano curto.
Em 1938, lançaram a marcha "Seu Condutor" (em parceria com Herivelto Martins), que foi o maior sucesso carnavalesco da dupla.
E, nesse mesmo ano de 1938, Ranchinho afastou-se pela primeira vez da dupla. E Alvarenga, passou a cantar em dupla com Bentinho e também com o grupo que intitulou "Alvarenga e Sua Gente".
Apesar do pouco tempo de duração, a dupla "Alvarenga e Bentinho" chegou a gravar alguns Discos 78 RPM pela Odeon e, tal foi a amizade surgida entre os dois parceiros que, a convite de Alvarenga, Bentinho foi Padrinho de Batismo do seu filho, o Delmare Alvarenga, que é atualmente um dos mais conceituados Maestros e é Regente da Orquestra Sinfônica da Ópera de Colônia (Köln) na Alemanha!
Em 1939, Ranchinho "reapareceu" e voltou a formar dupla com Alvarenga. E Bentinho formou juntamente com Xerém a famosa dupla Xerém e Bentinho.
Essa separação temporária de Ranchinho da dupla com Alvarenga voltou a ocorrer diversas vezes nos 27 anos seguintes e, nessas ocasiões, ele sempre foi substituído por outros parceiros, como Bentinho e Delamare de Abreu, esse último, como o "segundo Ranchinho", sendo que a dupla mantinha o mesmo nome.
E, em conseqüência de suas sátiras políticas, Alvarenga e Ranchinho vinham tendo cada vez mais problemas com a Censura Oficial; mas em 19/04/1939, dia do aniversário de Getúlio Vargas, a questão foi finalmente resolvida: Alzira Vargas, filha do então Presidente da República, convidou a dupla para tocar todo o seu repertório de sátiras no Palácio do Catete para seu pai. O "Baixinho" (como era chamado pela dupla), após ouvir todas as músicas, inclusive algumas que se referiam a ele, acabou gostando e deu ordens para que as composições de Alvarenga e Ranchinho fossem liberadas em todo o Território Nacional. E, para Ranchinho, de um certo modo, parecia que, "... sem censura, havia perdido a graça falar do Getúlio..."
Também em 1939, passaram a se apresentar na Rádio Mayrink Veiga, onde receberam o título de "Os Milionários do Riso", graças aos cada vez mais bem sucedidos esquetes cômicos.
Em 1940, gravaram pela Odeon um de seus maiores sucessos, "Romance de uma Caveira" (Alvarenga - Ranchinho - Chiquinho Sales), famosíssima valsa tragi-cômica, onde um cadáver recém chegado ao cemitério (um "defunto fresco") acaba por provocar uma crise naquilo que parecia um "amor eterno" entre duas caveiras... E, termina em tragédia, com o suicídio do "caveiro" ("...e matou-se de um modo romanesco / por causa dessa ingrata caveira / que trocou ele / por um defunto fresco.").
domingo, 10 de fevereiro de 2019
Álbum ‘Teatro’ Willie Nelson
Quando eu tocava uma telecaster, não podia imaginar que o som do violãozinho Bob Dylan - o mesmo que encantou o Festival Folk de Newport faria parte dos meus desejos musicais. Logo, estaria trabalhando com um Epiphone (EJ200 E) e sendo muito bem recebido pela rapaziada country rock. No entanto, ninguém entendeu nada quando "larguei o aço" e passei a usar violões de nylon.
Ray Titto
Willie Nelson
2 I Never Cared For You
3 Everywhere I Go
4 Darkness on the Face of the Earth
5 My Own Peculiar Way
6 These Lonely Nights, Home Motel
7 The Maker
8 I Just Can't Let You Say Goodbye
9 I've Just Destroyed the World (I'm Living In)
10 Somebody Pick Up My Pieces
11 Three Days
12 I've Loved You All Over the World
13 Annie.
sexta-feira, 2 de novembro de 2018
João Carcará Do Vale
Lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
É um pássaro malvado
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará
Quando vê roça queimada
Sai voando, cantando,
Carcará
Vai fazer sua caçada
Carcará come inté cobra queimada
Quando chega o tempo da invernada
O sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim num passa fome
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come
Carcará é malvado, é valentão
É a águia de lá do meu sertão
Os burrego novinho num pode andá
Ele puxa o umbigo inté matá
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
João do Vale, uma das figuras mais importantes da música popular brasileira. Se é certo que em 1964-65, quando se realizou pela primeira vez o show Opinião, os grandes centros do país tomaram conhecimento de sua existência e lhe reconheceram os méritos de compositor, não é menos certo que pouca gente de seu conta do que ele realmente significa como expressão de nossa cultura popular. Isso se deve ao fato de queJoão do Vale não é um compositor de origem urbana e que só agora se começa a vencer o preconceito que tem cercado as manifestações populares sertanejas. É verdade que em determinados momentos, com Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, essa música conseguiu ganhar o auditório nacional, mas para, em seguida, perder o lugar conquistado. É que o Brasil é o grande e diversificado. Basta dizer que, quando João do Valese tornou um nome nacional, já tinha quase trezentas músicas gravadas, que o Nordeste inteiro conhecia e cantava, enquanto no Sul ninguém ainda ouvira falar nele. Lembro-me da primeira vez que o vi cantar em público, em 1963, no Sindicato dos Bancários, no Rio, convidado por Thereza Aragão. Dentro de um terno branco engomado, pisando sem jeito com uns sapatões de verniz, entrou em cena. Parecia encabulado, mais, quando começou a cantar, empolgou o auditório. Era como se nascesse ali o novo João do Vale que, menos de dois anos depois, na arena do Teatro Opinião, faria o público ora rir, ora chorar, com a força e a sinceridade de sua música e de sua palavra. Autenticidade é uma palavra besta mas é na autenticidade que resida a força desse João maranhense, vindo de Pedreiras para dar voz nacional ao sertão. Mas não só nisso, e não apenas no seu talento, como também em sua cultura. Há gente que pensa que culto é apenas quem leu muitos livros. No entanto, se tivesse tido, como eu a oportunidade de ouvir João cantar as músicas sertanejas que ele sabe, veria que ele é a expressão viva de uma cultura. De uma cultura que não está nos livros mas na memória e no coração dos artistas do povo.
Ferreira Gullar






























