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quinta-feira, 24 de novembro de 2022

A Fera do bom e velho Rock an Roll, Jerry Lee Lewis


Nossa merecida homenagem ao último pioneiro do rock que ainda estava vivo. Jerry Lee Lewis morreu em 28 de outubro de 2022, aos 87 anos, de causas naturais, em sua casa na cidade de Memphis, no Tennessee. O cantor, compositor e pianista foi o maior dos anti-heróis entre o time considerado como os “pais” do rock, formado pelos colegas de gravadora Sun Studios: Elvis Presley. Roy Orbinson, Johnny Cash e Carl Perkins, além do próprio Jerry Lee Lewis. Com uma vida pessoal controvertida, o pioneiro do rock teve uma carreira brilhante, com mais de 40 discos lançados e sucessos que abriram as portas do mundo para o rock na década de 50, caso de “Great Balls of Fire” e “Whole Lotta Shakin’ Going On”.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Álbum ‘Teatro’ Willie Nelson


Quando eu tocava uma telecaster, não podia imaginar que o som do violãozinho Bob Dylan - o mesmo que encantou o Festival Folk de Newport faria parte dos meus desejos musicais. Logo, estaria trabalhando com um Epiphone (EJ200 E) e sendo muito bem recebido pela rapaziada country rock. No entanto, ninguém entendeu nada quando "larguei o aço" e passei a usar violões de nylon.


Essa paixão começou no verão de 1998: uma fã, da extinta banda Cadillac 55, deixou um presente na varanda da casa que a gente morava em Cabo Frio. Era o álbum "Teatro". Na época, Willie Nelson beirava os setenta anos, a capa sépia era convidativa. Aquela manhã, começou na voz dele.


Tudo soava intensamente diferente da maioria dos cantores de Nashville, o ambiente era de um ensaio dos caras. As sessões de gravação foram realizadas num antigo cinema da Califórnia e foram produzidas por Daniel Lanois. Com vocais de apoio de Emmylou Harris, uma gaitinha econômica, guitarras elétricas de vanguarda, um piano luxuoso acompanhado por percussão ensolarada e bateria com levada que, juro, os caras deram uma passada no Pelourinho. Daí, ao longo disso tudo, o violão de nylon do Willie Nelson... Furado, mais gasto que sua pele, latino como nunca e solando sobre o verso "And I never cared for you". Sinceramente sugestivo e marcante.
Ray Titto


Teatro
1998
Willie Nelson

1 Ou Es -Tu, Mon Amour? (Where Are You, My Love?)
2 I Never Cared For You
3 Everywhere I Go
4 Darkness on the Face of the Earth
5 My Own Peculiar Way
6 These Lonely Nights, Home Motel
7 The Maker
8 I Just Can't Let You Say Goodbye
9 I've Just Destroyed the World (I'm Living In)
10 Somebody Pick Up My Pieces
11 Three Days
12 I've Loved You All Over the World
13 Annie.

#violãodenylon, #willienelson, #bienvenidosasuteatro, #bobdylan, #folk, #folkrock, #hammylouharris, #cadillaca55, #generalleecabofrio

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Ao mestre Atahualpa Yupanqui - O cantor do vento



Atahualpa Yupanqui ... Em quíchua, significa “aquele que vem de terras distantes para dizer algo”. Sua obra fez jus ao nome. Considerado um dos mais importantes divulgadores de música folclórica da Argentina. Nascido Héctor Roberto Chavero, Atahualpa foi compositor, cantor, violonista e escritor. Aos 19 anos uma de suas canções mais famosas, “Camino del indio“. Durante o primeiro governo de Perón (1946-1952), foi censurado e preso algumas vezes em razão de sua atividade e de sua filiação ao Partido Comunista. Mudou-se para a Europa em 1949 e foi convidado por Edith Piaf para tocar em Paris em julho de 1950.

Nos anos 40, publicou seu primeiro livro de versos: "Piedra sola", filiou-se ao Partido Comunista da Argentina, junto com um grupo de intelectuais. Essa atitude resultou em represálias: proibiram sua atuação em teatros, rádios, bibliotecas e escolas, além de ter sido preso várias vezes. Teve os dedos da mão direita quebrados numa de suas passagens pela prisão. No cárcere, algozes colocaram uma máquina de escrever sobre sua mão e se puseram a pular em cima dela, para que nunca mais tocasse. “Há acordes como o si menor que me custa fazer”, declarou.

Seus dois principais discos, nos quais registra parte do repertório recolhido, saíram em 1957. Compôs e gravou trilha para filmes, escreveu romances, e foi regravado por muita gente, de Mercedes Sosa a Elis Regina.
Filho de pai quéchua e mãe basca, mudou-se ainda criança com a família para Agustín Roca, em cuja ferrovia seu pai trabalhava. Com seis anos começou a ter aulas de violino e pouco tempo depois de violão com o concertista Bautista Almirón, viajando diariamente os 15 quilômetros que o separavam da casa do mestre.
Em 1917, sua família mudou-se para Tucumán.
Quando tinha 13 anos teve suas primeiras obras literárias publicadas no jornal da escola. Nessa época, começou a utilizar o nome "Atahualpa" em homenagem ao último soberano Inca. Alguns anos depois, agregou "Yupanqui" ao seu pseudonômio, em homenagem à Tupac Yupanqui, penúltimo governante inca.

Quando tinha 19 anos, compôs a canção: "Camino del Indio", que se tornou um hino da identidade indígena na Argentina.
Fez uma viagem na qual percorreu a Província de Jujuy, a Bolívia e os Vales Calchaquies.
Em 1931 percorreu a Província de Entre Ríos, permanecendo por um tempo no Departamento de Tala. Passou por um tempo em Montevidéu, para depois percorrer o interior do país e o Sul do Brasil.

Em 1934, regressou à Argentina para se estabelecer em Rosário na Província de Santa Fé. Em 1935, mudou-se para Raco, na Província de Tucumán. Passou uns meses em Buenos Aires, trabalhando em uma rádio. Percorreu a Província de Santiago del Estero, antes de, em 1936, retornar a Raco.
Depois, percorrer, muitas vezes em lombo de mulas, as Províncias de Catamarca, Salta e Jujuy; os Vales Calchaquies e o altiplano para melhor conhecer antigas culturas sul-americanas. Residiu por um tempo em Cochangasta, na Provincia de La Rioja.

Em 1947, publicou a novela "Cerro Bayo", que anos depois seria o roteiro do filme: "Horizontes de Piedra", com música e atuação como protagonista do próprio Yupanqui. Esse filme, dirigido por Román Viñoly Barreto, em 1956, foi premiado no Festival de Cinema de Karlovy Vary (Tchecoeslováquia).

Em 1949, fez uma viagem para a Europa para apresentara-se na Hungria, Tchecoeslováquia, Romênia, Bulgária e França. Em Paris, conheceu Paul Eluard e Edite Piaf; se apresentou no Teatro Ateneo e gravou o disco "Minero soy", pela gravadora "Chant du Monde", que obteve o prêmio de melhor disco estrangeiro de um Concurso Internacional de Folclore promovido pela Academia Charles Gross.

Em 1953, retornou à Argentina e tornou publica seu desligamento do Partido Comunista da Argentina, que de fato ocorrera dois anos antes. Ao lado do também compositor Buenaventura Luna, Yupanqui é citado no “Manifiesto del Nuevo Cancionero”, de 1963, como contributo da música popular argentina, responsável por dar um “empurrão renovador” na música folclórica, que, antes deles, “padecia sem vida”. Tanto Luna como Yupanqui surgem nas duas regiões mais ricas em expressão musical, o Norte e Cuyo”, detalha o manifesto. “Embora não sejam os únicos, estes são os mais representativos precursores pela qualidade e pela extensão de suas obras e por sua vocação em expressar renovadamente a música popular latina”.
Dentre suas canções mais populares, pode-se citar: "El arriero", "Trabajo, quiero trabajo" e "Los ejes de mi carreta" e "Los Hermanos".

“Para mim, uma das figuras mais ricas da América Latina é o grande cantor e poeta indígena Atahualpa Yupanqui. Tenho por ele uma admiração fantástica, por sua poesia, por sua maneira de tocar violão, sua forma de cantar. Eu me lembro que, quando fui castigado pelo Vaticano com o silêncio obsequioso, citei um verso de Atahualpa: ‘la voz no la necesito/ sé cantar hasta en silencio’. Para mim, Atahualpa é uma referência de arte, porque creio muito na beleza e na arte como fatores de liberdade. E ele é, para mim, uma pessoa que me inspira, tanto no aspecto literário, no aspecto musical, quanto por sua visão de mundo: o ser humano profundamente ligado à ‘Pachamama’ (Mãe-Terra), constituindo uma coisa única, o ser humano como Terra, que caminha, sente, pensa e ama.”
Leonardo Boff, teólogo, intelectual e ambientalista.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Guantanamera, guajira Guantanamera


Ray Titto e Os Calabares

Guantanamera faz parte de um gênero musical muito popular nos campos de Cuba: a guajira ou punto cubano. De forte influência branca e espanhola, é a mistura dos ritmos dos filhos de espanhóis nascidos na América, os criollos.
Durante a colonização, a presença dos escravos negros no interior do país restringia-se ao trabalho nas fazendas e engenhos açucareiros. Já os imigrantes espanhóis que escolhiam viver no interior, geralmente eram campesinos que trabalhavam na terra.

O nome guajiro como sinônimo do campesino cubano vem da época em que os conquistadores espanhóis, depois de dizimar a população indígena e ainda sem os escravos negros, recorreram aos índios da região de La Guajira, entre a Venezuela e a Colômbia, para trabalhar no campo.
Não se sabe exatamente quando surgiu La Guantanamera. É uma manifestação folclórica do povo campesino. Sua origem é a cidade de Guantánamo, onde está a base naval dos Estados Unidos. O título da canção La Guantanamera significa mulher de Guantánamo.

Joseíto Fernández, conhecido trovador havaneiro, foi o primeiro cantador de guajiras que disseminou La Guantanamera na ilha. Em um programa de rádio da década de 40, chamado La Guantanamera - cujos temas eram escolhidos nas páginas policiais dos jornais - alternavam-se partes cantadas com a dramatização de crimes.
Ao concluir cada parte, repetia-se o coro: "Guantanamera, guajira guantanamera...". O programa ficou tão popular que o povo adotou a frase "me cantó una Guantanamera...", para falar que alguém contou um fato triste.

A maior parte dos estudiosos da música da ilha diz que Joseíto Fernández foi o primeiro a cantar e gravar a Poesía I dos Versos Sencillos, publicados em 1891 por José Martí, com a melodia de La Guantanamera. Mas é importante observar que Joseíto Fernández não teve nada a ver com a melodia nem com o texto da La Guantanamera como conhecemos atualmente.
Já o musicólogo cubano Tony Evora diz que a incorporação de alguns versos dos Versos Sencillos deve-se a uma versão do compositor espanhol Julián Orbón (1925-91). Orbón foi professor do cubano Héctor Angulo na Manhattan School of Music de Nova Iorque. Héctor mostrou a versão de Orbón ao cantor norte-americano Pete Seeger que a difundiu.

Guantanamera é uma das mais célebres canções da música cubana, de autoria de José Martí e musica Josito Fernandez. Guantanamera é o gentílico (feminino) para as nascidas em Guantánamo, província do sudeste de Cuba.
A música data de 1963 e uma das gravações mais conhecidas é do grupo The Sandpipers. No Brasil, foi regravada por vários grupos, como Tarancón e Raíces de América.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A história da música Maracangalha - Repertório


Primeiro, vamos explicar uma coisa, Maracangalha existe mesmo . É um distrito do município de São Sebastião do Passe e ponto turístico onde há a Praça Dorival Caymmi (em forma de violão, 1972), a Capela de Nossa Senhora da Guia (1963) e a Usina Cinco Rios (1912), e que chegou a produzir 300 mil sacas de açúcar por ano.

Dorival e Zezinho
Dorival tinha um amigo de infância, Zezinho, que costumava dizer “Eu vou pra Maracangalha…”. O assunto todo surgiu, porque Zezinho contou a Dorival que tinha uma amante, Áurea, em Itapagipe, e com ela, ele tinha 4 filhos. Só que Zezinho era casado com Damiana e ‘tinha’ que arrumar um jeito pra ver sua outra família. Para isso, ele bolou todo um esquema para ter o motivo de saída de casa e a prova, na volta, de que havia sido ‘sincero’ .

O disfarce
Zezinho se abriu com o amigo compositor, explicou que ele enviava um telegrama a si mesmo onde dizia que sua atenção era necessária em negócios no vilarejo. A partir daí, ele avisava em casa que precisava viajar e estava coberto pela própria lorota. Na volta, ele trazia um saco de açúcar, para comprovar que tinha ido a Maracangalha, pois a Usina Cinco Rios era uma das maiores fontes de movimentação econômica da região. Pronto, o ‘álibi perfeito’.
A música

O samba foi feito num fôlego só, assim, de uma vez, só porque, naquela tarde de julho de 1955, Dorival tinha transformado em palavras seu encanto pela sonoridade do nome do pequeno distrito, assim como a inusitada história que o levou a ficar com essa ‘fixação’ por Maracangalha. O resto, como diz o clichê, é história e a canção toca em carnavais, rodas de samba e, assim como muitas do compositor baiano, parecem que sempre existiram tamanha a naturalidade com que nos faz viajar em seu universo. Ah, a Anália era uma musa inspiradora pela veia musical e cultural, mas isso foi liberdade criativa do autor.
Conclusão
Dorival agradece a Zezinho pela ideia e eu agradeço a Dorival pelo ensejo do artigo. Em homenagem ao dia 1º de abril, um grande abraço a Zezinho, por ter motivado uma das canções brasileiras mais conhecidas com uma história verdadeiramente de agente de vida dupla.

Por:
Sobre Fernando SagatibaNegro, 
jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
Fonte: Caymmi, Stella. Dorival Caymmi. O mar e o tempo, São paulo, Ed. 34, 2001, p. 329.