quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Ray Titto e Os Calabares



  O trio Ray Titto e Os Calabares é composto por cantores e compositores fundadores da extinta banda Rioclaro e que continuam radicados em Brasília, mantendo no repertório as canções autorais da banda. São músicas que fizeram parte de três trilhas de Filmes documentários: Abaixando a Máquina 1, Mautner em Cuba, Mais Náufragos que Navegantes, com uma indicação pela Academia Brasileira de Cinema para o prêmio de melhor trilha sonora de 2017, finalista na categoria Blues do Prêmio Profissionais da Música de 2016. Oito delas, nas rádios Nacional FM e Cultura FM.


Formação: Ray Titto (voz e violão), Victor Lacombe (voz, bateria) e Michael Moran (voz, violino, mandolin)

No repertório do show Ray Titto e Os Calabares. Country e FolkRock de toda América. São clássicos como: Alan Jackson, Alabama, Willie Nelson, Los Lobos e Almir Sater.



SETLIST

AUTORAIS +

LOS LOBOS
ALAN JACKSON

ALMIR SATER
SANTANA
ALABAMA
ELVIS
OZARK MOUTAIN DAREDEVILS
BUENA VISTA SOCIAL CLUB
ALLMAN BROTHERS
TRINI LOPEZ
WILLIE NELSON
LUÍS GONZAGA
JOHN DENVER
CHUCK BERRY
JOHNNY CASH
DIRE STRAITS
RAUL SEIXAS






sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Ray Titto e Os Calabares


O trio Ray Titto e Os Calabares é composto por cantores e compositores fundadores da extinta banda Rioclaro e que continuam radicados em Brasília, mantendo no repertório as canções autorais da banda. São músicas que fizeram parte de três trilhas de documentários: Abaixando a Máquina 1, Mautner em Cuba, Mais Náufragos que Navegantes, com uma indicação pela Academia Brasileira de Cinema para o prêmio de melhor trilha sonora de 2017, finalista na categoria Rock & Blues do Prêmio Profissionais da Música de 2016. Oito delas, nas rádios Nacional FM e Cultura FM. Agora, Ray Titto (voz e violão), Victor Lacombe (voz, bateria) e Michael Moran (voz, violino, mandolin, trompete) continuam com o autêntico Rock Rural do Cerrado no repertório do show dos Calabares. Recheado do folk de toda América, com muita poesia e melodias influenciadas pelos clássicos de Almir Sater, Los Lobos, Willie Nelson e nas trilhas sonoras dos Western Spaghetti de Ennio Morricone.

João Carcará Do Vale



Lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
É um pássaro malvado
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará
Quando vê roça queimada
Sai voando, cantando,
Carcará
Vai fazer sua caçada
Carcará come inté cobra queimada
Quando chega o tempo da invernada
O sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim num passa fome
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come
Carcará é malvado, é valentão
É a águia de lá do meu sertão
Os burrego novinho num pode andá
Ele puxa o umbigo inté matá
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará

João do Vale, uma das figuras mais importantes da música popular brasileira. Se é certo que em 1964-65, quando se realizou pela primeira vez o show Opinião, os grandes centros do país tomaram conhecimento de sua existência e lhe reconheceram os méritos de compositor, não é menos certo que pouca gente de seu conta do que ele realmente significa como expressão de nossa cultura popular. Isso se deve ao fato de queJoão do Vale não é um compositor de origem urbana e que só agora se começa a vencer o preconceito que tem cercado as manifestações populares sertanejas. É verdade que em determinados momentos, com Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, essa música conseguiu ganhar o auditório nacional, mas para, em seguida, perder o lugar conquistado. É que o Brasil é o grande e diversificado. Basta dizer que, quando João do Valese tornou um nome nacional, já tinha quase trezentas músicas gravadas, que o Nordeste inteiro conhecia e cantava, enquanto no Sul ninguém ainda ouvira falar nele. Lembro-me da primeira vez que o vi cantar em público, em 1963, no Sindicato dos Bancários, no Rio, convidado por Thereza Aragão. Dentro de um terno branco engomado, pisando sem jeito com uns sapatões de verniz, entrou em cena. Parecia encabulado, mais, quando começou a cantar, empolgou o auditório. Era como se nascesse ali o novo João do Vale que, menos de dois anos depois, na arena do Teatro Opinião, faria o público ora rir, ora chorar, com a força e a sinceridade de sua música e de sua palavra. Autenticidade é uma palavra besta mas é na autenticidade que resida a força desse João maranhense, vindo de Pedreiras para dar voz nacional ao sertão. Mas não só nisso, e não apenas no seu talento, como também em sua cultura. Há gente que pensa que culto é apenas quem leu muitos livros. No entanto, se tivesse tido, como eu a oportunidade de ouvir João cantar as músicas sertanejas que ele sabe, veria que ele é a expressão viva de uma cultura. De uma cultura que não está nos livros mas na memória e no coração dos artistas do povo.

Ferreira Gullar

domingo, 5 de agosto de 2018

Ray Titto e Os Calabares com as Merceditas!


O Grupo Musical Merceditas foi criado em novembro de 2016 em Brasília. É formado por quarteto feminino, vocal e instrumental. Tem como objetivo a interpretação de músicas latino-americanas, especialmente o rico repertório do Movimento Nueva Canción que difundia composições com denúncia social, incorporando elementos do folclore musical. O nome Merceditas é uma homenagem à Mercedes Sosa, cantora argentina, expoente do Movimento Nueva Canción Latino Americana, que ficou conhecida como “a voz dos sem voz”.


· Eleni Fagundes – Voz e direção musical.
Estudou piano e canto na Escola de Música de Brasília. Participou como soprano do Coral da UnB e Madrigal UnB, cantando em festivais no Brasil e no exterior (Canadá, Espanha, Alemanha, Suécia e Grécia). 


Eliane Timm – Voz e percussão.
Bacharel em canto pela Universidade de Passo Fundo/RS. Foi professora de música/canto e regeu vários grupos corais no RS. Como integrante do Coral da UnB participou de festivais no Brasil e no exterior (França, Itália e Grécia).



· Ednea Fagundes – Voz e percussão.
Formada em canto-coral pelo instituto de música do DF, onde cantou durante 4 anos. Estudou violão e canto na BSB Musical, integrando o coral dessa instituição durante 13 anos onde também foi diretora da unidade Guará II.



· Eulália Augusta – Voz e violão.
Estudou violão no Conservatório Musical Maestro Julião em Presidente Prudente/SP, de 1990 a 2000, onde também cantou em vários corais da cidade. Atualmente ministra aulas de violão em Brasília.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Ray Titto e Os Calabares no Trinus Bar


O Trinus, bar recém-inaugurado na quadra 203 Norte, no antigo ponto do Carcassonne Pub.
O conceito desse novo espaço explora diferentes lugares, culturas, histórias e sabores do mundo tanto na área de coquetelaria como na gastronomia.
As referências estão por toda parte. Passaportes, placas indicativas, decoração que lembra a cabine de um trem. No cardápio, sugestões de petiscos com receitas de diversos cantos: empanadas recheadas com chouriço apimentado, molho chimichurri e salsa criolla; Köttbullar (almôndegas com molho branco), Arancini, Fish and Chips, Bavarian Fries (cesta de batatas fritas), Kurokke (Tóquio em verde e amarelo), Cookie com Bacon, servido com licor de chocolate branco e calda de chocolate ao leite, e hambúrgueres.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Ray Titto e Os Calabares


O show dos Calabares é recheado do folk de toda América, com muita poesia e melodias influenciadas pelos clássicos de Almir Sater, Túpac Yupanqui, Los Lobos, Willie Nelson e nas trilhas sonoras dos Western Spaghetti de Ennio Morricone.

sábado, 21 de abril de 2018

Fazendo canções. Ray Titto




Balas de Amor

Um sombreiro escondendo o olhar
Um poente vermelho demais
La pistola y el corazón
Sangue vai jorrar no fim

No poncho aberto um generoso colo
E muitas vezes isso me consola
Que vai ser o primeiro a sacar
E descansar em paz´

Nessa história quem é o bandido eu não sei
Chumbo e prata irão derreter
E o bardo vai contar
Que é porcelana e vulcão
Que a tragédia é pra mudar
Nessa pistola eu tenho mais
Y mucho más y tengo más
Mucho más, tengo más...

Mais balas de amor, olê!
Balas de amor, olá!
Balas de amor, olê!
Mais balas de amor, olá!

Un lucero en mi soledad
É o gatilho de uma pistola
Uma guitarra triste sola agora
Por la eternidad

Nessa história quem é o bandido eu não sei
Chumbo e prata irão derreter
E o bardo vai contar
Que é porcelana e vulcão
Que a tragédia é pra mudar
Nessa pistola eu tenho mais
Y mucho mas y tengo más
Mucho más, tengo más...

El Duke (Cine Vitória) - Western Spaghetti Latino

           

Ray Titto e Os Calabares o Rock Rural do Cerrado


O sentir, o exprimir máximo de um sentimento em forma de arte é sempre amoral. Assim, as canções do show falam do povo de todas  Américas de forma universal, o que é comum a toda alma e experiência humana.

Ray Titto e Os Calabares Instrumental do Mato!

             

Ray Titto e Os Calabares na Rádio Nacional FM

A música "Réquiem" - de Ray Titto e Os Calabares - está na programação da Rádio Nacional FM. O trio é composto por cantores e compositores fundadores da extinta banda Rioclaro e que continuam radicados em Brasília, mantendo no repertório as canções autorais da banda.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Glauber Rocha e o Matador de Cangaceiro Zé Rufino



"Em 1960, o irrequieto Glauber Rocha, então com 21 anos de idade, enfrentou os ainda duros trajetos em direção a cidade baiana de Jeremoabo, como repórter do jornal “Diário de Notícias”, de Salvador, onde realizou uma interessante entrevista com um dos mais eficientes caçadores de cangaceiros, o oficial da polícia baiana José Rufino.

Havia no artigo da professora Josette Monzani, da Universidade Federal de São Carlos e uma reprodução fotográfica da reportagem do jornal “Diário de Notícias”. Mas, infelizmente, como é comum em obras de cunho acadêmico, a foto estava com uma resolução tão ridícula que impossibilitava a visualização. Assim desisti de conhecer momentaneamente um pouco mais daquele trabalho.

Entretanto, mesmo sem ter acesso ao material, achei fantástico descobrir que Glauber havia largado o conforto da beira mar de Salvador e encarou poeira, sol, desconfiança e inúmeras dificuldades para entrevistar o próprio José Rufino, ou Zé Rufino, o comandante de volante que matou o cangaceiro Corisco.

Um Início com Muita Desconfiança
Tempos depois fui a Salvador, cidade que adoro, onde tive a oportunidade de procurar com calma o exemplar do jornal “Diário de Notícias” e finalmente foi possível ler e digitalizar a dita reportagem.
Chama logo a atenção no texto que Glauber não seguiu para este trabalho jornalístico com no máximo um fotógrafo, como seria de esperar na função de repórter. Ele foi a Jeremoabo com mais três amigos.

Além do futuro diretor de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, estavam juntos o cineasta Trigueirinho Neto, um paulista radicado na Bahia que naquele ano lançaria seu único longa-metragem, “Bahia de todos os santos”.

Outro membro era o ator Geraldo Del Rey, um baiano da cidade de Ilhéus, que em 1960 já tinha participado de dois trabalhos cinematográficos e era considerado um dos mais promissores atores que atuavam no chamado “Ciclo Baiano” de cinema.
Finalmente entre os membros da comitiva de Glauber em Jeremoabo estava o jovem acadêmico Antônio Guerra.
Não é para menos que os quatro amigos fossem inicialmente recebidos com muita reserva e desconfiança por parte de Zé Rufino.



Enfim, depois de tudo que Rufino havia feito na vida de caçador e matador de cangaceiros, receber a visita de um grupo de quatro homens desconhecidos, certamente faria o ex-policial imaginar que aquilo poderia ter mais jeito de ser uma emboscada do que uma entrevista.

A desconfiança foi desfeita quando Glauber falou que tinha como um amigo comum do antigo lutador das caatingas, um membro da família Sá, de forte influência e tradição política na região de Jeremoabo. A partir daí o guerreiro sertanejo “Deu confiança”, nas palavras de Glauber e desandou a contar sua incrível história.

Rufino é descrito como sendo “Alto, queimado pelo fogo do sol nordestino, corpo rijo, dobrando a casa dos cinquenta (anos)”.
Foram encontrar a lendária figura na salinha de sua casa, de calça, paletó sem gravata e fumando um cigarro atrás do outro. Afirmou o irrequieto cineasta que Zé Rufino era um homem bem estabelecido em Jeremoabo, “Com boas fazendas e duas mil cabeças de gado”.



O cineasta nascido em Vitória da Conquista afirmou que a patente do pernambucano Zé Rufino era a de major e assim o designou durante toda a entrevista.
E o major foi logo adiantando que;
-Conheço esse mundo com a palma da mão. Tirava 18 léguas na perna e nunca soldado meu se deitou para fazer fogo. A briga era em pé e eu gostava de lutar com o velho – o velho é Lampião, cuja a sombra lendária continua a desfilar pelas serras e campos do Nordeste-

Um Repórter, ou Diretor de Cinema?
Apesar de fazer a função de repórter, Glauber sempre foi um cineasta e nas letras da reportagem ele já qualificava Zé Rufino como um “-Um ator perfeito”.
A conversa fluía aberta e franca e o entrevistador viajava com a mente de cineasta diante da verdadeira lenda viva. Para ele, a narrativa de Zé Rufino foi totalmente realizada na melhor linguagem de um autêntico “Western” e deixaria um John Ford “Suspirando de emoção”.

Esta emoção vinha principalmente da qualidade do narrador. Rufino descrevia os combates com voz vibrante, repassando detalhes dos campos de luta, narrando biografias e voltando sem receio a um passado em que muito sangue jorrou no sertão.

Interessante foi que Zé Rufino descreveu que na sua juventude detestava a polícia e os policiais. Comentou que isso se devia à violência que alguns militares praticavam de forma desenfreada contra os civis. Por conta desta opinião, mesmo tendo vários parentes como membros do aparato de segurança do Estado, Rufino quase chegou a fazer parte do bando de Lampião, cujo nome real era Virgulino Ferreira da Silva.

Para o antigo guerreiro havia uma admiração pelo seu maior inimigo, que Rufino descreveu como sendo “-Magro, boa estatura, sempre de óculos, com uma lágrima escorrendo no olho quase cego e usando dois galões de capitão nos ombros”.

Ele narrou que em algumas ocasiões se encontrou com Lampião frente a frente. Em um destes momentos, quando o chefe cangaceiro estava acompanhado com cerca de 80 homens, Lampião chamou Rufino para lhe acompanhar pela terceira vez. O convite foi assim descrito:
-Rufino, já duas vezes lhe chamei para ser meu cabra e você nunca quis. Agora é hora Rufino!

Rufino afirmou que em um primeiro momento recusou, mas viu que Lampião não havia gostado nada de sua decisão. Para sair daquela situação disse que seguiria com o “Rei do Cangaço”, mas não naquele momento. Informou que tinha “Uns negócios” para resolver junto a sua mãe. Por incrível que pareça, a demonstração de responsabilidade de Rufino em relação a sua genitora fez o cangaceiro refrear seu ímpeto e Lampião deixou o jovem seguir seu caminho.

O ex-militar afirmou a Glauber que o grupo partiu devagar, com Lampião transmitindo ordens aos seus chefes de subgrupos para que partissem ordenadamente, tal como uma força militar tradicionalmente organizada.
O próximo encontro entre os dois valentes pernambucanos seria de fuzil na mão e cada um do seu lado mandando bala.

Guerra nas Caatingas
Glauber Rocha recordou (sem referenciar) o paraibano José Lins do Rêgo, que dizia que no Nordeste daqueles tempos “Quem não era cangaceiro, soldado, ou beato, padecia na seca, ou sofria de fome, ou de violência”.
Rufino afirmou que preferiu ser policial a cangaceiro. Pois estes “Faziam miséria com o povo, tendo o fuzil na mão e o nome de Deus na boca”.

Narrou sem desassombro que deu muito prejuízo a Lampião e seus cangaceiros, pois quando pegava um deles “Cortava a cabeça, botava num saco e trazia nas costas para Jeremoabo”.
Afirmou que nesta época a cidade baiana tinha cerca de 800 policiais de prontidão. Segundo o ex-militar, Lampião esteve em uma serra próxima, mas não entrou em Jeremoabo.

Quando saía para a luta Rufino afirmou que sempre a frente de sua volante de policiais seguia o rastejador “Bem-te-vi”, que nunca perdia o rastro. Havia longas caminhadas, com os espinhos dilacerando tudo, rasgando roupas, mas logo que a volante topava com os cangaceiros a luta era dura.

Para Rufino seus soldados deveriam de lutar em pé, mesmo que fosse a cinco metros de distância dos oponentes. Tinham de mostrar valentia, pois os inimigos eram fortes, conheciam o terreno e nos confrontos os cangaceiros pareciam fantasmas saltando para fugir das balas, com as suas “Cabeleiras voando”.

Em uma ocasião, no meio da refrega violenta, um policial gritou e caiu no chão. Os cangaceiros recuaram, o tiroteio diminuiu gradativamente de intensidade e finalmente cessou. Ao retornar para junto dos companheiros Zé Rufino narrou que sentiu alguma coisa mole no rosto e nos braços. Eram os “miolos”, a massa encefálica do soldado caído. O morto era seu primo carnal, que havia levado um balaço de fuzil bem no meio da testa.

O próprio rastejador de Zé Rufino, o veterano “Bem-te-vi” estava presente no encontro com os quatro rapazes vindos da capital baiana. Este demonstrou um enorme respeito pelo feroz adversário. Disse que era mentira em relação a uma versão que afirmava ter sido Lampião um “Matador de crianças”. O rastejador disse que Lampião “Tinha remorso de atirar em passarinho, nunca de matar um sujeito ruim”.

“Bem-te-vi” mostrava um respeito sincero pelos seus adversários. Como só os verdadeiros guerreiros que participaram da boa luta, da luta valente, do combate realizado frente a frente, no campo da honra dos nossos sertões.

Interessante foram as afirmações de Rufino em relação à força da religiosidade entre os cangaceiros e mesmo entre seus camaradas de farda. Todos eles sempre tinham “O nome de Deus na boca”. Reconheceu que “Entre todos aqueles que botaram o fuzil no ombro, não tinha um que não se benzia”. Os lutadores foram em suas declarações “Um povo beato até os fios dos cabelos”.

Mas indubitavelmente para o major Zé Rufino, o seu maior feito na luta contra os cangaceiros foi a morte de Corisco.

A Caçada e Morte do “Diabo Louro”
Zé Rufino começou a sua narrativa afirmando que “Não queria matar Corisco”. Disse que o eliminou porque foi alvejado primeiro. Tanto assim que, mostrando suas intenções, não deixou que seus homens exterminassem Dadá, onde garantiu a sua vida até Salvador, onde ela foi tratada.

Para o antigo caçador de cangaceiros, Corisco e Dadá eram definidos como “Um casal bonito”.
Ele via Corisco, conhecido como “Diabo Louro”, como um homem de fibra e achava que ele “Morreu feliz”, pois era um valente que não aguentaria viver em uma penitenciária. Corisco era uma figura que Zé Rufino nutria um enorme respeito, mesmo passados quase vinte anos do confronto que havia provocado a sua morte e o ferimento que fez Dadá perder parte de sua perna direita.

Dadá era uma “-Mulher linda e valente” aos olhos de Rufino. Em sua opinião a companheira de Lampião era “Pequena” diante de Dadá.
Glauber aproveita a fundo a conversa com José Rufino, principalmente a descrição do porte físico do cangaceiro e da indumentária, que muito lhe ajudariam no futuro a compor um dos principais personagens de “Deus e o Diabo na Terra do Sol".


Na reportagem Zé Rufino, talvez com exagero, diz que “Os cabelos de Corisco eram grandes, e quando ele jogava as mechas por cima dos ombros pareciam duas bandeiras amarelas. Quando Corisco cortou os cabelos, cada pedaço dava para fazer uma grande trança”.
Se havia respeito e admiração a distância, tudo se acabava quando os canos dos fuzis ficavam frente a frente.

Rufino afirmou que deu muito fogo, muito combate, contra Corisco e que este era doido para lhe matar. Aparentemente nos momentos finais do chefe cangaceiro, que gostava de ser tratado como “capitão”, este não reconheceu Zé Rufino e lhe perguntou o nome. Desejava ir para a eternidade sabendo quem o derrubou. O antigo major afirmou a Glauber Rocha que no momento que Corisco soube quem o pegou, este nitidamente demonstrou irritação e deu o último suspiro.

Glauber transcreveu a afirmação do major Rufino contando este fato, e colocou esta parte com destaque no início da reportagem;
–Estou ferida meu velho – gritou Dadá pulando no ar, baleada na perna. Mais fortes são os poderes de Deus – respondeu Corisco e fez fogo feroz contra o Major Rufino. O Major continuava correndo e disparava seguidamente no Diabo Louro que fugia para o horizonte. Uma bala rompeu os intestinos, as tripas de Corisco saltaram. O Major se aproximou, viu o homem no chão, calmo, sem medo, sem dores: – Por que você não se entregou Corisco? – Sou homem de morrer, num nasci pra ser preso. Cumé seu nome? – José Rufino. Então o rosto do capitão se contorceu e ele mordeu os lábios com fúria. Eram 5 da tarde em ponto, no mês de maio, 1940.


O que o militar José Osório de Farias, o Zé Rufino se esqueceu de comentar com Glauber Rocha foi que Cristino Gomes da Silva Cleto, o famigerado Corisco, natural de Matinha de Água Branca, nas Alagoas, estava praticamente aleijado de ambos os braços naquele combate. Sua deficiência era fruto de balaços que havia recebido anteriormente.

Fraco e debilitado, ele tentava com sua mulher Dadá, como era conhecida entre os cangaceiros a jovem Sérgia Ribeiro da Silva, alcançar discretamente o sul da Bahia. Seguiam acompanhados do cangaceiro Rio Branco e da jovem mulher deste.
Mas em um sábado, 25 de maio de 1940, Zé Rufino e seus homens apareceram em um sítio em Brotas de Macaúbas e a história se desenrolou.

Final de Um Grande Encontro
Independente dos fatos reais eu creio que esta parte da narrativa realizada pelo antigo caçador de cangaceiros mexeu de verdade com a cabeça do cineasta baiano. Pois muito do que está descrito nesta reportagem publicada no jornal “Diário de Notícias”, edição de 21 de fevereiro de 1960, um domingo, Glauber Rocha reproduziu magistralmente em suas obras cinematográficas.

Consta que a entrevista entrou pela noite adentro. Logo a matéria aponta que o Geraldo Del Rey mostrava que havia material suficiente para uma trilogia, só com as memórias de Zé Rufino.
Trigueirinho Neto convida então o antigo combatente das caatingas para ser ator. Logo “Bem-te-vi” também é convidado a fazer parte do elenco do filme. Zé Rufino afirma na sequência, em um diálogo que demonstra camaradagem e tranquilidade, que vai chamar os antigos perseguidores dos cangaceiros ainda vivos para participarem da película, com a intenção que tudo seja reconstituído “Como reza a verdade e o mito”.
E a entrevista se encerra.

FONTE - ROSTAND MEDEIROS
Rostand Medeiros é de Natal, Rio Grande do Norte, escritor e pesquisador

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

A Zamba



A zamba é o nome que se dá a um gênero musical e um tipo de dança folclórica característico da região do Noroeste da Argentina. Zamba pode ter um compasso de 6/8, de 3/4 ou uma combinação de ambas que deriva das colônias europeias na América. Os europeus chamavam zambas às mulheres mestiças que descendiam de negros e aborígenes ( quando o termo aborígene se refere a uma pessoa, é usado para fazer alusão aos primitivos moradores de um território, pelo que se contrapõe àqueles que se estabeleceram posteriormente na região) ao passo que os homens na mesma situação eram denominados zambos.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Hertz e frequências das notas



DÓ (c) vibra em 396 hertz de frequência, para a libertação do medo e da culpa.
RÉ (d) vibra em 417 hertz de frequência para a transformação, transmutação, e conversão do nosso estado mental, para chegar à aceitação do Divino.
MI (e) vibra em 528 hertz de frequência, para a transformação e reparação do DNA.
FA (F) vibra em 639 hertz de frequência para melhorar o conhecimento, acelerar a inteligência, como? Ouvindo por longo tempo o som da nota F o cérebro pode experimentar a redução de um composto químico presente no cérebro e chamado ácido quinurênico pode melhorar as capacidades cognitivas tanto de pessoas saudáveis como de doentes que sofram de distúrbios neurodegenerativas ou psicóticos.
SOL (G) vibra em 741 hertz de frequência, e influencia e na expansão da consciência humana.
LÁ (a) vibra em 852 hertz e desperta a intuição, a nota a afeta a glândula pineal ou epífise, a chamada terceiro olho, que constitua a antena do ser humano, não só a intuição como parte das habilidades do ser humano. Homem, mas a telepatia e outras capacidades do homem, seriam desenvolvidas pela influência desta nota no cérebro humano.
SI (b) vibra em 963 hertz de frequência e influência no sistema nervoso, estabilizando e equilibrando as energias acumuladas pelo stress e outros fatores.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Um Breve Ensaio Sobre Poetas Malditos - Trilha Sonora Ray Titto e Os Calabares



O Canal Brasil apresenta este mês "Um Breve Ensaio Sobre Poetas Malditos". São inter-programas de três grandes poetas da língua portuguesa, seus escritos reunidos nessa série de pequenos episódios dirigidos pelo uruguaio radicado no Brasil Guillermo Planel. O cineasta assina leituras dramatizadas sobre roteiro de Sylvia Fernandes e animação de Ray Titto ilustrando poemas de Alvaro de Campos – um dos heterônimos de Fernando Pessoa –, Gregório de Matos e João do Rio (ilustrado por Maurício Planel) com narração de Paulo Cesar Peréio e trilha sonora de Ray Titto e Os Calabares.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O vento é um cavalo



O vento é um cavalo

Ouça como ele corre
Pelo mar, pelo céu.
Quer me levar: escuta
como recorre ao mundo
para me levar para longe.

Me esconde em teus braços
por somente esta noite,
enquanto a chuva rompe
contra o mar e a terra
sua boca inumerável.

Escuta como o vento
me chama calopando
para me levar para longe.

Com tua frente a minha frente,
com tua boca em minha boca,
atados nossos corpos
ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem que possa me levar.
Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me busque
galopando na sombra,
entretanto eu, emergido
debaixo teus grandes olhos,
por somente esta noite
descansarei, amor meu.

Pablo Neruda

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Ray Titto e Os Calabares na Rádio Nacional FM



A Nacional foi a primeira emissora FM de Brasília, entrando no ar em 1976. Os destaques de sua programação são o melhor da música brasileira e a informação de qualidade. Transmitindo com 20 Kilowatts de potência, pode ser sintonizada em todo o Distrito Federal e Entorno. O sinal da Nacional FM também é disponibilizado via internet e satélite digital.
O grande destaque da programação musical da Nacional FM é a música brasileira, MPB tradicional e contemporânea, música instrumental, os novos talentos e a música de artistas de Brasília. A emissora também executa em edições identificadas a música do mundo, a música dos países de língua portuguesa e dos países da América Latina.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Ao mestre Atahualpa Yupanqui - O cantor do vento



Atahualpa Yupanqui ... Em quíchua, significa “aquele que vem de terras distantes para dizer algo”. Sua obra fez jus ao nome. Considerado um dos mais importantes divulgadores de música folclórica da Argentina. Nascido Héctor Roberto Chavero, Atahualpa foi compositor, cantor, violonista e escritor. Aos 19 anos uma de suas canções mais famosas, “Camino del indio“. Durante o primeiro governo de Perón (1946-1952), foi censurado e preso algumas vezes em razão de sua atividade e de sua filiação ao Partido Comunista. Mudou-se para a Europa em 1949 e foi convidado por Edith Piaf para tocar em Paris em julho de 1950.

Nos anos 40, publicou seu primeiro livro de versos: "Piedra sola", filiou-se ao Partido Comunista da Argentina, junto com um grupo de intelectuais. Essa atitude resultou em represálias: proibiram sua atuação em teatros, rádios, bibliotecas e escolas, além de ter sido preso várias vezes. Teve os dedos da mão direita quebrados numa de suas passagens pela prisão. No cárcere, algozes colocaram uma máquina de escrever sobre sua mão e se puseram a pular em cima dela, para que nunca mais tocasse. “Há acordes como o si menor que me custa fazer”, declarou.

Seus dois principais discos, nos quais registra parte do repertório recolhido, saíram em 1957. Compôs e gravou trilha para filmes, escreveu romances, e foi regravado por muita gente, de Mercedes Sosa a Elis Regina.
Filho de pai quéchua e mãe basca, mudou-se ainda criança com a família para Agustín Roca, em cuja ferrovia seu pai trabalhava. Com seis anos começou a ter aulas de violino e pouco tempo depois de violão com o concertista Bautista Almirón, viajando diariamente os 15 quilômetros que o separavam da casa do mestre.
Em 1917, sua família mudou-se para Tucumán.
Quando tinha 13 anos teve suas primeiras obras literárias publicadas no jornal da escola. Nessa época, começou a utilizar o nome "Atahualpa" em homenagem ao último soberano Inca. Alguns anos depois, agregou "Yupanqui" ao seu pseudonômio, em homenagem à Tupac Yupanqui, penúltimo governante inca.

Quando tinha 19 anos, compôs a canção: "Camino del Indio", que se tornou um hino da identidade indígena na Argentina.
Fez uma viagem na qual percorreu a Província de Jujuy, a Bolívia e os Vales Calchaquies.
Em 1931 percorreu a Província de Entre Ríos, permanecendo por um tempo no Departamento de Tala. Passou por um tempo em Montevidéu, para depois percorrer o interior do país e o Sul do Brasil.

Em 1934, regressou à Argentina para se estabelecer em Rosário na Província de Santa Fé. Em 1935, mudou-se para Raco, na Província de Tucumán. Passou uns meses em Buenos Aires, trabalhando em uma rádio. Percorreu a Província de Santiago del Estero, antes de, em 1936, retornar a Raco.
Depois, percorrer, muitas vezes em lombo de mulas, as Províncias de Catamarca, Salta e Jujuy; os Vales Calchaquies e o altiplano para melhor conhecer antigas culturas sul-americanas. Residiu por um tempo em Cochangasta, na Provincia de La Rioja.

Em 1947, publicou a novela "Cerro Bayo", que anos depois seria o roteiro do filme: "Horizontes de Piedra", com música e atuação como protagonista do próprio Yupanqui. Esse filme, dirigido por Román Viñoly Barreto, em 1956, foi premiado no Festival de Cinema de Karlovy Vary (Tchecoeslováquia).

Em 1949, fez uma viagem para a Europa para apresentara-se na Hungria, Tchecoeslováquia, Romênia, Bulgária e França. Em Paris, conheceu Paul Eluard e Edite Piaf; se apresentou no Teatro Ateneo e gravou o disco "Minero soy", pela gravadora "Chant du Monde", que obteve o prêmio de melhor disco estrangeiro de um Concurso Internacional de Folclore promovido pela Academia Charles Gross.

Em 1953, retornou à Argentina e tornou publica seu desligamento do Partido Comunista da Argentina, que de fato ocorrera dois anos antes. Ao lado do também compositor Buenaventura Luna, Yupanqui é citado no “Manifiesto del Nuevo Cancionero”, de 1963, como contributo da música popular argentina, responsável por dar um “empurrão renovador” na música folclórica, que, antes deles, “padecia sem vida”. Tanto Luna como Yupanqui surgem nas duas regiões mais ricas em expressão musical, o Norte e Cuyo”, detalha o manifesto. “Embora não sejam os únicos, estes são os mais representativos precursores pela qualidade e pela extensão de suas obras e por sua vocação em expressar renovadamente a música popular latina”.
Dentre suas canções mais populares, pode-se citar: "El arriero", "Trabajo, quiero trabajo" e "Los ejes de mi carreta" e "Los Hermanos".

“Para mim, uma das figuras mais ricas da América Latina é o grande cantor e poeta indígena Atahualpa Yupanqui. Tenho por ele uma admiração fantástica, por sua poesia, por sua maneira de tocar violão, sua forma de cantar. Eu me lembro que, quando fui castigado pelo Vaticano com o silêncio obsequioso, citei um verso de Atahualpa: ‘la voz no la necesito/ sé cantar hasta en silencio’. Para mim, Atahualpa é uma referência de arte, porque creio muito na beleza e na arte como fatores de liberdade. E ele é, para mim, uma pessoa que me inspira, tanto no aspecto literário, no aspecto musical, quanto por sua visão de mundo: o ser humano profundamente ligado à ‘Pachamama’ (Mãe-Terra), constituindo uma coisa única, o ser humano como Terra, que caminha, sente, pensa e ama.”
Leonardo Boff, teólogo, intelectual e ambientalista.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Já não basta rezar: o encontro entre o Papa e Mapuches


A "Missa para o progresso dos povos" é chamada de homilia, que durante sua visita ao Chile, o papa Francis irá oficiar em 17 de janeiro de 2018 na Araucanía, a região mais pobre do país (26,2% das pessoas em situação de pobreza multidimensional de acordo com a Nova Pesquisa de Renda Suplementar 2017) e com a maior população de residentes Mapuche.
É esse o lugar do coração do conflito para as terras originais que, durante décadas, mantêm o povo Mapuche e o Estado chileno em confronto.